Desaparecimento de família no RS chega a 50 dias: afinal, o que impede o avanço da investigação?

  • 15/03/2026
(Foto: Reprodução)
Silvana Germann de Aguiar, Dalmira Germann de Aguiar e Isail Vieira de Aguiar Imagens cedidas/Polícia Civil Cinquenta dias após o sumiço de Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, e dos pais dela, Isail Aguiar, 69, e Dalmira Aguiar, 70, a investigação segue sem desfecho. Relembre o caso abaixo. A Polícia Civil trabalha com a hipótese de feminicídio, duplo homicídio e ocultação de cadáver, mas ainda enfrenta uma série de barreiras que impedem o avanço do caso, mesmo com um único suspeito. O policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-companheiro de Silvana, está preso temporariamente desde 10 de fevereiro. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Em nota, o advogado Jeverson Barcellos, que representa Cristiano, informou que mantém "efetiva colaboração com as autoridades" e que "irá se debruçar sobre a decisão e seus fundamentos, para analisar eventual combate por via de habeas corpus". Leia abaixo a íntegra. Mesmo com um suspeito preso e diversas frentes de investigação em andamento, o caso avança lentamente por depender de laudos, dados sigilosos, buscas extensas e um volume grande de análise técnica. O g1 lista alguns dos fatores que dificultam o esclarecimento policial do que aconteceu entre os dias 24 e 25 de janeiro, quando a família foi vista pela última vez. Confira: 1. Falta dos corpos Apesar de a polícia trabalhar praticamente sem expectativa de encontrar as vítimas com vida, a ausência dos corpos limita a conclusão de pontos-chave da investigação. Silvana, inclusive, integra a lista oficial de vítimas de feminicídio no RS em 2026. Sem localizar a família, os investigadores não conseguem: Determinar oficialmente a causa das mortes; Identificar como os crimes teriam ocorrido; Confirmar se houve participação de outras pessoas. A ocultação dos corpos, que faz parte da principal linha investigativa, impede que os peritos estabeleçam a dinâmica do caso com precisão. 2. Suspeito em silêncio e acesso a provas Cristiano Domingues Francisco optou por exercer o direito de não responder às perguntas da polícia. Além disso, ele e a atual companheira não forneceram as senhas dos celulares, o que dificultou com que os agentes acessassem conversas, dados de localização e fotos ou registros que possam indicar deslocamentos na noite do desaparecimento. 3. Veículo visto em câmeras Um carro vermelho modelo Fox aparece entrando na casa de Silvana duas vezes na noite do desaparecimento da mulher. No entanto, as imagens não permitem a leitura da placa, o que levou a polícia a iniciar uma busca entre os mais de 6 mil veículos iguais registrados no Rio Grande do Sul. A checagem individual desses automóveis é demorada e consome parte da força de trabalho da investigação. 4. Laudos do IGP A polícia aguarda análises complexas do Instituto-Geral de Perícias sobre: sangue humano; material genético; e vestígios coletados na casa da família. O IGP informou que não há prazo para entrega dos resultados. Com isso, partes da investigação seguem paralisadas à espera de confirmação. 5. Possível ocultação de provas Investigadores descobriram que parentes de Cristiano compraram novos celulares após a prisão do policial. O objetivo agora é localizar os aparelhos antigos e entender se houve troca de mensagens entre familiares e se alguém pode ter ajudado na eliminação de provas ou até na ocultação dos corpos. Essa linha de investigação amplia o escopo do caso e exige análise sobre possível participação de terceiros. 6. Informações financeiras Embora a polícia já saiba que nenhuma movimentação ocorreu nas contas das vítimas após o desaparecimento, ainda faltam dados de aplicações financeiras diversas. Para o delegado Anderson Spier, esses informes são essenciais para avaliar se uma motivação financeira pode ter influenciado o crime. 7. Falhas ou manipulação nas câmeras Câmeras da residência de Silvana podem ter tido o acesso local removido ou até as imagens apagadas. A polícia aguarda um laudo técnico do fabricante para descobrir se os arquivos foram enviados à nuvem, há cópias de segurança ou se é possível recuperar parte do conteúdo. Esses vídeos podem ser decisivos para identificar quem dirigia o carro vermelho ou o que ocorreu dentro da casa na noite de 24 de janeiro. Relembre o caso Um mês do desaparecimento da família Aguiar, em Cachoeirinha (RS) O g1 montou a linha do tempo que detalha os principais acontecimentos da investigação. Confira: Antes do sumiço 2 de janeiro: Silvana Germann de Aguiar solicita, em um grupo de mensagens, o contato do Conselho Tutelar; 9 de janeiro: Silvana comparece ao Conselho Tutelar para registrar que seu ex-marido, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, desrespeitava as restrições alimentares do filho do ex-casal. O fim de semana dos desaparecimentos 24 de janeiro (sábado): Silvana é vista pela última vez. Uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas que estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu e o objetivo da postagem seria despistar o desaparecimento. Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica de veículos na noite de 24 de janeiro: - 20h34: Um carro vermelho entra na residência de Silvana, e sai oito minutos depois; - 21h28: O veículo branco de Silvana entra na garagem da casa; - 23h30: Outro automóvel chega ao local, permanece por 12 minutos e vai embora. 25 de janeiro (domingo): - Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais de Silvana, Isail e Dalmira Aguiar, saem para procurar a filha. O casal de idosos tenta registrar o desaparecimento na delegacia distrital, mas a unidade estava fechada; - Segundo a Polícia Civil, após saírem da delegacia, os idosos seguiram para a residência do ex-genro, Cristiano. Em depoimento prestado inicialmente como testemunha, o policial afirmou que o casal teria pedido ajuda para procurar Silvana, já que ele é policial militar. Ele teria dito que estava preparando o almoço e que auxiliaria mais tarde; - Ainda conforme a investigação, após a visita, os idosos teriam retornado para casa e, horas depois, teriam sido vistos por vizinhos entrando em um carro não identificado, de cor desconhecida. Desde então, não foram mais vistos. Início das investigações 27 e 28 de janeiro: As ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente. O ex-marido, Cristiano Domingues Francisco, comunica o sumiço de Silvana, e uma sobrinha, informa à polícia que os idosos também não foram mais vistos; 28 de janeiro: Cristiano comparece ao Conselho Tutelar para pedir que o filho fique sob sua guarda durante as investigações; 1º de fevereiro: Cristiano envia uma foto de dentro da casa dos sogros para uma conhecida, mostrando o veículo do casal; 3 de fevereiro: A polícia ouve seis pessoas, incluindo o ex-marido e sua atual companheira. Um projétil de arma de fogo é encontrado no pátio da casa dos idosos; 4 de fevereiro: A Polícia Civil confirma que trata o caso como crime, descartando sequestro por falta de pedido de resgate. Perícias e prisão 5 de fevereiro: A perícia coleta material na casa de Silvana, encontrando vestígios de sangue no banheiro e na área externa. 7 de fevereiro: O celular de Silvana é localizado após denúncia anônima, escondido sob uma pedra em um terreno baldio próximo à casa dos pais; 9 de fevereiro: Reunião de autoridades confirma que o cartucho encontrado na casa dos idosos é de festim (munição não letal); 10 de fevereiro: - Cristiano Domingues Francisco é preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico indicar movimentação suspeita. A reportagem tem acesso a áudios nos quais ele estaria tentando interferir na investigação. - Familiares e amigos realizam um protesto e caminhada em Cachoeirinha pedindo solução para o caso; - O filho de Silvana é encaminhado para a casa dos avós paternos. Em áudio, PM suspeito de matar família no RS pergunta sobre investigação 13 de fevereiro: É divulgado que o suspeito e sua atual companheira se recusaram a fornecer as senhas de seus aparelhos. 20 de fevereiro: - O policial militar prestou depoimento à polícia. De acordo com a defesa, Cristiano ficou em silêncio; - Polícia confirma que o mesmo carro entrou duas vezes na residência de Silvana no dia em que ela desapareceu. Contudo, não foi possível identificar a placa. Assim, não se sabe quem é o proprietário. 24 de fevereiro: A perícia do celular Silvana mostrou que o aparelho nunca esteve em Gramado, diferente do que indicava a publicação feita em 24 de janeiro em suas redes sociais. Um mês do desaparecimento 24 e 25 de fevereiro: O desaparecimento da família Aguiar completa um mês. 25 de fevereiro: Silvana é considerada a 20ª vítima de feminicídio no RS em 2026. 26 e 27 de fevereiro: Polícia Civil realiza buscas pelos corpos em áreas de matas e rios próximos a Cachoerinha. Força-tarefa 3 de março: - A Polícia Civil anuncia uma força-tarefa para fiscalizar 6 mil veículos do modelo Fox e cor vermelha emplacados no Rio Grande do Sul. O objetivo é identificar o proprietário do carro que entrou duas vezes na casa de Silvana na noite do crime. - Delegado Anderson Spier confirma que pedirá a prorrogação da prisão temporária de Cristiano Domingues Francisco. 5 de março: - A polícia encaminha formalmente à Justiça o pedido para manter o PM preso por mais 30 dias. Agentes cumprem um mandado de busca na casa de um amigo do suspeito, apreendendo um videogame, celular e HD externo para checar o álibi de que estariam jogando na noite do desaparecimento. 9 de março: A Justiça autoriza a prorrogação da prisão temporária de Cristiano por mais 30 dias. 13 de março: - Ocorre operação de busca com o reforço do Corpo de Bombeiros e do uso de cães farejadores. As equipes concentram esforços na Vila Anair, em Cachoeirinha, e na zona rural de Gravataí, incluindo um sítio do pai do suspeito. - Polícia realiza buscas nas casas da mãe, de um irmão e da atual companheira de Cristiano. São apreendidos novos aparelhos celulares e dois carros. - A investigação confirma que os familiares compraram novos telefones após a prisão do PM. Nota da defesa do PM preso "A defesa de Cristiano diante da prorrogação da prisão temporária por mais 30 dias, vai acompanhar o andamento das investigações, estando por seus familiares à disposição de manter a efetiva colaboração com as autoridades. Por fim, irá se debruçar sobre a decisão e seus fundamentos, para analisar eventual combate por via de habeas corpus." Infográfico: pais e filha desaparecem em Cachoeirinha Arte/g1 VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/03/15/desaparecimento-de-familia-no-rs-chega-a-50-dias-afinal-o-que-impede-o-avanco-da-investigacao.ghtml


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